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esse blog nasceu de um constante mergulhar em mim mesma e no universo ao meu redor. Perguntar-nos 'Quem sou eu?' é pra que estamos aqui!


this blog was born from a non-stop dive into myself and the universe around me. To ask onself 'Who am I?' is what we are here for!

as feridas íntimas do patriarcado

as feridas íntimas do patriarcado

No consultório, essas feridas estão presentes todos os dias.

Naquela garota de 20 e poucos anos que ainda insiste em se chatear muito porque o pai sempre protege o irmão, entendendo desde que era uma menininha que vale menos.... e se debate para entender que ele também é filho da mesma cultura e, portanto, é machista, assim como sua mãe, minha mãe, seu pai e o meu... (salvo raríssimas e honrosas exceções) gerações e gerações de machistas em cada família, em cada paternagem e maternagem. E é por isso que ele a trata assim, e não porque ela vale menos.

Ou naquela mulher de 30 e poucos anos cujo pai nunca foi capaz de um elogio. Nunca estava ‘good enough’ e é assim que ela ainda se sente e se cobra a perfeição e fica muitas vezes escrava da energia yang que alimenta de forma vingativa contra esse pai, fazendo, fazendo, fazendo... e se vingando muitas vezes no marido... Trabalhando com afinco a energia yin sempre que pode e dá conta... vamos trabalhando e equilibrando. Transformando complexo em consciência.

Ou ainda na mulher de quase 30 anos que ainda se comporta como uma garotinha porque isso é o que ‘pleases dad’! Quanta tristeza, quanta raiva contida, quanta dor e insegurança. Quanta luta e beleza para crescer e se encontrar no meio de um cenário tão machista que beira o inacreditável...

E a lista seria infindável.

No livro “The Creation of Patriarchy“, Gerda Lerner afirma que “o patriarcado enquanto sistema é histórico: ele tem um começo na história”. Há mais de 4.000 anos, quando “o destronamento da deusa poderosa e a sua substituição por um deus masculino dominante ocorreu na maioria das sociedades, a função de controle da fertilidade, anteriormente detida inteiramente pelas deusas, é simbolizada através do acasalamento simbólico ou real do deus masculino ou Deus-Rei com a Deusa ou sua sacerdotisa. Finalmente, a sexualidade (erotismo) e a procriação são divididas no surgimento de deusas separadas para cada função e a Deusa-Mãe é transformada na esposa/consorte do deus masculino chefe.

Essa desvalorização simbólica da mulher em relação ao divino se torna uma das metáforas encontradas da civilização Ocidental. A outra é fornecida pela filosofia Aristotélica que vê como um dado que as mulheres são humanos incompletos e danificados de uma ordem inteiramente diferente dos homens. É com a criação dessas duas construções metafóricas, que foram criadas desde a fundação dos sistemas de símbolos da civilização Ocidental, que a subordinação de mulheres se torna algo visto como “natural””

“O que poderia explicar a longa demora (por volta de 3500 anos) da tomada de consciência de mulheres sobre sua posição subordinada na sociedade.? O que poderia explicar a histórica “cumplicidade” das mulheres na manutenção do sistema patriarcal que as subordina e em transmiti-lo, geração após geração, aos seus filhos de ambos os sexos?” pergunta Gerda no livro que vale demais a leitura.

Desnaturalizar essa subordinação é nossa tarefa premente enquanto indivíduos, sociedade e planeta. Só construiremos um novo sistema histórico mais equilibrado, humano e sustentável à medida que compreendermos cada vez melhor esse sistema do qual hoje fazemos parte. E para isso precisamos escancarar seu funcionamento e suas feridas.

the beauty I could see in the presidential elections in Brazil

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