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esse blog nasceu de um constante mergulhar em mim mesma e no universo ao meu redor. Perguntar-nos 'Quem sou eu?' é pra que estamos aqui!


this blog was born from a non-stop dive into myself and the universe around me. To ask onself 'Who am I?' is what we are here for!

50 anos eu??

50 anos eu??

Well, os 50 chegaram!! Parece brincadeira. Como assim? Quando foi que passou? Assim tão rápido? Tão rápido e ao mesmo tempo é tanta vida vivida que parece que foram várias vidas. Viva a relatividade do tempo! Aliás eu gosto de achar que vim nessa vida para viver várias vidas em uma! ;)

Talvez por eu ser a filha caçula. Talvez por eu ter sempre tido um espírito meio ‘girly’. Talvez por eu ter ‘trocado de vida’ tantas vezes e cada novo início ter trazido certa frescura ao viver. Talvez por sempre ter parecido mais jovem do que a expectativa comum sobre pessoas da minha idade (pelo menos antes de deixar os cabelos brancos! rs)… Não sei precisar… o fato é que eu não ‘ajo de acordo’ e nem me sinto uma ‘senhora de 50 anos’… o que quer que isso seja no imaginário cultural e social em que vivemos e que sem dúvida também moldou o meu imaginário.

Mesmo assim, ou talvez justamente por isso, a chegada dos 50 me trouxe uma certa ‘esquisitice’. Eu que aos 40 iniciei uma nova vida - em uma nova cidade, novo consultório - com a mesma tranqüilidade que fiz aos 17, aos 21, aos 24 ou aos 30 anos, me vejo hoje com uma urgência de ‘nova vida’ de novo, mas dessa vez sinto uma certa esquisitice nisso… talvez me sinta com um pouco menos de coragem… ?? Talvez mais madura tendo que encarar que nem tudo que eu quero eu posso ou devo? Talvez com mais preguiça? Não sei…

Mas sinto uma certa esquisitice com a ideia de ‘ter que poupar para o futuro’ e também de ‘não poupar para o futuro at all’, afinal, ‘aquele futuro’ parece estar logo ali… uma esquisitice pensar em ‘me arriscar a começar de novo, num novo lugar, uma nova vida’ a esta altura, e também acho muito esquisito pensar que ‘a vida que ainda tenha para viver seja no mesmo lugar ou na mesma ‘vida’…. esquisitices que não sentia antes.

Ao mesmo tempo que sinto uma confiança tão tamanha em mim mesma, em quem eu seja hoje, na minha capacidade de fazer o que eu quiser, como quiser, onde quiser, com quem eu quiser… Sim, uma certa arrogância até! Que observo conscientemente… Esquisito.

Como nas palavras da minha querida amiga berlinense que acabou de também completar 50 anos, a quem conheci na minha vida Nº3, quando morei na Inglaterra entre os 24 e 27 anos, ‘sounds funny and strange, but feels ok. :). Hahaha it feels exactly the same for me! <3

É estranho pensar que pela primeira vez na minha vida, de fato, eu paro para pensar sobre a finitude desta vida. Como se ela nunca estivesse estado ali e, de repente, me obrigasse a pensar sobre ela. Na verdade, o pouco que penso sobre o futuro, me ocupo mais da velhice do que da morte, porque essa, de verdade, sinto como uma bênção. E mesmo para a velhice tenho muitos bons olhos, apesar de algumas aflições, claro. Talvez isso se deva ao fato de que eu sempre tive um olhar muito otimista para a vida! Mas só o fato de me pegar pensando sobre tudo isso soa muito novo para mim. Esquisito.

Penso com alegria, well, amo meu trabalho, ainda tenho miles projetos, ideias e vontades… minha saúde sempre foi e ainda é muito boa, apesar de todos os meus descuidos…. e uma sensação de que vou morrer trabalhando ativamente me invade e me dá um conforto enorme! (tipo assim quem sabe que nem a Luiza Erundina, a Fernanda Montenegro!?) Sorrio. Me sinto ainda com ‘muitas vidas’ para viver!

Mas acho que a melhor parte mesmo de fazer 50 anos é me sentir. Segura de mim. Contar com a minha intuição como nunca antes com tanta frequência e cotidianice que faz a vida ficar definitivamente mais leve, mais linda, mais curiosa! Num contato muito mais profundo e íntimo com a mulher que mora em mim. Com a alma que mora em mim. Leio meus anseios mais profundos com muito mais facilidade, me guio por eles para encontrar caminhos e tomar decisões. Que delícia isso! E no aqui e agora nem me lembro mais de todos os ‘infernos’ que precisei atravessar para chegar até aqui!

Já não fico brava com tanta frequência. Já não me importo com o que pensam os outros. Já não sofro tanto quando um amor se vai. Já não temo me colocar como antes. Sigo com minhas escolhas, mais corajosa, ainda que elas estejam cada vez mais distantes do que escolhe a maioria das pessoas ao meu redor. Fazer o quê?

Seguir. Desmistificando a mim e ao mundo que me cerca. Vivendo todos os dias e todas as vidas que ainda há para viver nessa vida, com a coragem de Ser o que penso, Ser o que digo, Ser o que acredito. Ser eu. Ser.

E como diz Arnaldo Antunes nessa música feita para todos que ‘enfrentam e afrontam o seu medo de envelhecer’ e que eu a-do-ro…

“Não quero morrer pois quero ver

Como será que deve ser envelhecer

Eu quero é viver pra ver qualé

E dizer venha pra o que vai acontecer”

estamos todos dopados :(

estamos todos dopados :(

Individualidade na relação a dois (2)

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